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'O Sangue do Olimpo' já disponível para ler online

.. terça-feira, 18 de novembro de 2014 Nenhum comentário:
 

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O Sangue do Olimpo - Glossário

.. segunda-feira, 17 de novembro de 2014 Nenhum comentário:

Glossário

Acrópole: antiga cidadela de Atenas, na Grécia, onde estão localizados os templos mais antigos dos deuses
Actáion: caçador que viu Ártemis tomando banho. Ela ficou com tanta raiva por um mortal tê-la visto nua que o transformou em um veado
Ad acien: “assumir posição de batalha” em latim
Afrodite: deusa grega do amor e da beleza. Era casada com Hefesto, mas amava Ares, o deus da guerra. Forma romana: Vênus
Afros: professor de música e poesia em um acampamento submarino para sereias e tritões. É um dos meios-irmãos de Quíron
Alcioneu: o mais velho dos gigantes nascidos de Gaia, destinado a combater Plutão
Ânfora: jarro de vinho feito de cerâmica
Antínoo: líder dos pretendentes à mão da rainha Penélope, esposa de Odisseu, o qual o matou com uma flechada no pescoço
Apolo: deus grego do sol, da profecia, da música e da cura; filho de Zeus e gêmeo de Ártemis. Forma romana: Apolo
Áquilo: deus romano do Vento Norte. Forma grega: Bóreas
Ares: deus grego da guerra; filho de Zeus e Hera e meio-irmão de Atena. Forma romana: Marte
Ártemis: deusa grega da natureza e da caça; filha de Zeus e gêmea de Apolo. Forma romana: Diana
Asclepeion: hospital e escola de medicina na Grécia Antiga
Asclépio: deus da cura; filho de Apolo. Seu templo era o centro médico da Grécia Antiga. Forma romana: Esculápio
Asdrúbal de Cartago: rei da Cartago Antiga, na atual Tunísia, de 530 a 510 AEC. Foi eleito “rei” onze vezes e agraciado com o triunfo quatro vezes, sendo o único cartaginês a receber tal honra
Atena: deusa grega da sabedoria. Forma romana: Minerva
Augusto: fundador do Império Romano e seu primeiro imperador. Governou de 27 AEC até sua morte, em 14 EC.
Ave Romae: “Avante, romanos!” em latim
Baco: deus romano do vinho e da orgia. Forma grega: Dioniso
Banastre Tarleton: general britânico na Guerra de Independência; ficou famoso durante a Batalha de Waxhaw pelo assassinato das tropas continentais já rendidas
Barrachina: restaurante em San Juan, Porto Rico, onde foi criada a piña colada
Belona: deusa romana da guerra
Bifurcum: “partes íntimas” em latim
Bitos: professor de luta no acampamento submarino para sereias e tritões; meio-irmão de Quíron
Bóreas: deus grego do Vento Norte. Forma romana: Áquilo
Briareu: irmão mais velho dos titãs e ciclopes; filho de Gaia e Urano. O último centímano vivo
Calipso: deusa ninfa da ilha mítica Ogígia; filha do titã Atlas. Deteve o herói Odisseu por muitos anos
Campo de Marte: área pública na Roma Antiga; também o nome do campo de treinamento no Acampamento Júpiter
Casa de Hades: local no Mundo Inferior onde Hades, deus grego da morte, e sua esposa, Perséfone, reinam sobre as almas dos mortos; também é o nome de um antigo templo em Épiro, na Grécia
Caverna de Nêstor: local onde Hermes escondeu o gado roubado de Apolo
Cécrope: líder dos gemini, os homens-cobra. Foi o fundador de Atenas e julgou a disputa entre Atena e Poseidon. Escolheu Atena como patrona da cidade e foi o primeiro a erguer um templo para a deusa
Centímanos: filhos de Gaia e Urano, são criaturas com cem mãos e cinquenta rostos; irmãos mais velhos dos ciclopes e deuses primordiais das tempestades violentas
Cêrcopes: anões com aparência de chimpanzé que roubam coisas brilhantes e criam o caos
Ceres: deusa romana da agricultura. Forma grega: Deméter
Ceto: antiga deusa dos monstros e das criaturas marinhas; filha de Pontos e Gaia, irmã de Fórcis
Ciclope: membro de uma raça primordial de gigantes que tem um único olho no meio da testa
Cimopoleia: deusa grega menor responsável pelas tempestades violentas; ninfa e filha de Poseidon e esposa de Briareu, um centímano
Cinocéfalo: monstro com cabeça de cachorro
Circe: feiticeira grega que transformou a tripulação de Odisseu em porcos
Clítio: gigante criado por Gaia para absorver a magia de Hécate e derrotá-la
Coquí: nome comum a várias espécies de pequenos sapos nativos de Porto Rico
Cronos: o mais jovem dos doze titãs; filho de Urano e Gaia e pai de Zeus. Matou o pai por desejo de sua mãe. Titã senhor da agricultura e das colheitas, da justiça e do tempo. Forma romana: Saturno
cuneum formate: manobra militar romana na qual a infantaria forma uma cunha para penetrar nas linhas inimigas
Cupido: deus romano do amor. Forma grega: Eros
Damásen: gigante filho de Tártaro e Gaia. Criado para se opor a Ares; condenado ao Tártaro por matar um drakon que estava destruindo suas terras
Deimos: medo; gêmeo de Fobos (pânico) e filho de Ares e Afrodite
Delos: ilha na Grécia onde nasceram Apolo e Ártemis
Deméter: deusa grega da agricultura; filha dos titãs Reia e Cronos. Forma romana: Ceres
Diana: deusa romana da natureza e da caça. Forma grega: Ártemis
Diocleciano: último grande imperador pagão e primeiro a se aposentar pacificamente; semideus (filho de Júpiter). Segundo a lenda, seu cetro era capaz de convocar um exército de mortos
Dioniso: deus grego do vinho e da orgia; filho de Zeus. Forma romana: Baco
Dracaena (pl.: dracaenaemulheres reptilianas com caudas de serpente no lugar das pernas
Efialtes: gigante criado por Gaia para destruir o deus Dioniso/Baco; gêmeo de Oto
Eiaculare flamas: “lançar flechas incendiárias” em latim
Encélado: gigante criado por Gaia para se opor à deusa Atena
Éolo: deus de todos os ventos
Epidauro: cidade no litoral grego onde ficava o templo do deus médico Asclépio
Épiro: região que é o atual noroeste da Grécia; local em que fica a Casa de Hades
Erecteion: templo de Atena e Poseidon em Atenas
Eros: deus grego do amor. Forma romana: Cupido
Espartanos: cidadãos da cidade grega de Esparta; soldados da Esparta Antiga, especialmente de sua famosa infantaria
Espresso: café forte feito com vapor pressurizado e grãos torrados e bem moídos
Estreito de Corinto: canal navegável que liga o Golfo de Corinto ao Golfo Sarônico, no Mar Egeu
Eurímaco: um dos pretendentes da esposa de Odisseu, a rainha Penélope
Évora: cidade portuguesa parcialmente cercada por muralhas medievais e com muitos monumentos históricos, entre eles um templo romano
Filia romana: “filha de Roma” em latim
Filipe da Macedônia: governou o reino grego da Macedônia de 359 AEC até seu assassinato, em 336 AEC. Pai de Alexandre, o Grande, e de Filipe III
Fobos: pânico; gêmeo de Deimos (medo) e filho de Ares e Afrodite
Fórcis: deus primordial dos perigos do mar; filho de Gaia e irmão-marido de Ceto
Frigidário: ambiente com água fria em um banho romano
Fúrias: deusas romanas da vingança. Normalmente caracterizadas como três irmãs: Alectó, Tisifone e Megera; filhas de Gaia e Urano. Vivem no Mundo Inferior atormentando os mortos julgados culpados. Forma grega: Erínias
Gaia: deusa grega da terra; mãe dos titãs, gigantes, ciclopes e outros monstros. Forma romana: Terra
Gaius Vitellius Reticulus: membro da legião romana quando ela foi criada e médico militar no tempo de Júlio César; atualmente é um Lar (espírito) no Acampamento Júpiter
Geminus (pl.:gemini): os homens-cobra; os atenienses originais
Hades: deus grego da morte e das riquezas. Forma romana: Plutão
Hebe: deusa grega da juventude; filha de Zeus e Hera. Forma romana: Juventa
Hécate: deusa da magia e das encruzilhadas; controla a Névoa; filha dos titãs Perses e Astéria
Hefesto: deus grego do fogo, do artesanato e dos ferreiros; filho de Zeus e Hera, casado com Afrodite. Forma romana: Vulcano
Hera: deusa grega do casamento; esposa e irmã de Zeus. Forma romana: Juno
Hermes: deus grego dos viajantes; guia dos espíritos dos mortos; deus da comunicação. Forma romana: Mercúrio
Hígia: deusa da saúde, da limpeza e do saneamento; filha de Asclépio, deus da medicina
Hípias: tirano de Atenas que, após deposto, se aliou aos persas contra o próprio povo
Hipnos: deus grego do sono. Forma romana: Somnus
Hipódromo: estádio oval para corridas de cavalos e bigas na Grécia Antiga
Hipólito: gigante criado para derrotar Hermes
Invídia: deusa romana da vingança. Forma grega: Nêmesis
Íris: deusa do arco-íris e mensageira dos deuses
Iro: velho que faz pequenos serviços para os pretendentes da esposa de Odisseu, a rainha Penélope, em troca de restos de comida
Ítaca: ilha grega onde se localiza o palácio de Odisseu, no qual o herói grego teve que se livrar dos pretendentes de sua rainha após a Guerra de Troia
Jano: deus dos portais, princípios e transições. Descrito como tendo dois
rostos, porque olha para o futuro e para o passado
Juno: deusa romana das mulheres, do casamento e da fertilidade; irmã e esposa de Júpiter; mãe de Marte. Forma grega: Hera
Júpiter: rei romano dos deuses, também chamado de Júpiter Optimus Maximus (o melhor e o maior). Forma grega: Zeus
Juventa: deusa romana da juventude; filha de Zeus e Hera. Forma grega: Hebe
Licáon: um rei da Arcádia que testou a onisciência de Zeus servindo-lhe um assado que era feito da carne de um hóspede seu. Zeus o puniu transformando-o em lobo
Lupa: loba romana sagrada que amamentou os bebês gêmeos Rômulo e Remo
Makhai: espíritos da batalha
Mania: espírito grego da loucura
Manticore: criatura com cabeça humana, corpo de leão e cauda de escorpião
Marte: deus romano da guerra; também chamado de Marte Ultor. Patrono do império; pai divino de Rômulo e Remo. Forma grega: Ares
Medusa: sacerdotisa que Atena transformou em górgona quando a flagrou com o deus Poseidon no templo de Atena. Medusa tem cobras no lugar de cabelo e transforma em pedra as pessoas que olham para seu rosto
Mercúrio: mensageiro romano dos deuses; deus do comércio, dos negócios e do lucro. Forma grega: Hermes
Mérope: uma das sete plêiades, filhas do titã Atlas
Mimas: gigante criado para ser o algoz de Hefesto
Minerva: deusa romana da sabedoria. Forma grega: Atena
Mofongo: prato à base de banana-da-terra frita, típico de Porto Rico
Mykonos: ilha grega que faz parte das Cíclades; localizada entre Tinos, Siros, Paros e Naxos
Nascidos da Terra: monstros de seis braços que vestem apenas uma tanga; também conhecidos como “gegenes”
Nêmesis: deusa grega da vingança. Forma romana: Invídia
Nereidas: cinquenta espíritos femininos do mar; protetoras dos marinheiros e pescadores e zeladoras das riquezas dos oceanos
Netuno: deus romano dos mares. Forma grega: Poseidon
Nice: deusa grega da força, da velocidade e da vitória. Forma romana: Vitória
Nix: deusa da noite; um dos primeiros deuses elementais antigos a nascer
Numina montanum: deuses romanos da montanha. Forma grega: ourae
Odisseu: lendário rei grego de Ítaca e herói do poema épico de Homero A Odisseia. Forma romana: Ulisses
Ogro lestrigão: monstro gigante canibal do extremo norte
Olímpia: o mais antigo e provavelmente mais famoso santuário da Grécia; onde se originaram os Jogos Olímpicos. Localizado na região oeste do Peloponeso
Onagro: arma de cerco gigante
Oráculo de Delfos: porta-voz das profecias de Apolo. O atual oráculo é Rachel Elizabeth Dare
Orbem formate!: a esse comando, legionários romanos assumiam uma formação em círculo, com arqueiros posicionados no centro e atrás para atuarem como força de apoio
Orco: deus da punição eterna no Mundo Inferior e dos juramentos quebrados
Órion: caçador gigante que se tornou o companheiro mais valoroso e leal de Ártemis. Em um acesso de ciúme, Apolo levou Órion à loucura despertando nele uma extrema sede de sangue, até que o gigante foi morto por um escorpião. Triste, Ártemis transformou seu adorado caçador em constelação, para honrar sua memória
Oto: gigante criado por Gaia especificamente para destruir o deus Dioniso/Baco; irmão gêmeo de Efialtes
Ourae: “deuses da montanha” em grego. Forma romana: numina montanum
Panadería: “padaria” em espanhol
Parcas, as Três: na mitologia grega, mesmo antes da existência dos deuses havia as Parcas: Cloto, que tece o fio da vida; Láguesis, a medidora, que determina a duração de uma vida; e Átropos, que corta o fio da vida com sua tesoura
Partenon: templo na Acrópole de Atenas, na Grécia, dedicado à deusa Atena. Sua construção começou em 447 AEC, quando o Império Ateniense estava no auge de seu poder
Pégaso: cavalo alado divino, gerado por Poseidon em seu papel de deus-cavalo e nascido da górgona Medusa; irmão de Crisaor
Pelopion: monumento funerário a Pêlops; localizado em Olímpia, na Grécia
Peloponeso: grande península e região geográfica no sul da Grécia, separada da parte norte do país pelo Golfo de Corinto
Pêlops: segundo o mito grego, filho de Tântalo e neto de Zeus. Quando menino, seu pai o cortou em pedaços, o cozinhou e o serviu em um banquete para os deuses, que, no entanto, perceberam o ardil e lhe restituíram a vida
Penélope: rainha de Ítaca e esposa de Odisseu. Durante os vinte anos de ausência do marido, permaneceu fiel a ele, dispensando cem arrogantes pretendentes
Pequeno Tibre: rio que cruza o Acampamento Júpiter. Corre com tanto poder quanto o Rio Tibre original, em Roma, embora não seja tão grande, e pode lavar das pessoas as bênçãos gregas
Peribeia: uma giganta; filha mais nova de Porfírion, rei dos gigantes
Pilo: cidade em Messênia, no Peloponeso, Grécia
Píton: serpente monstruosa a que Gaia incumbiu de guardar o Oráculo de
Delfos
Plutão: deus romano da morte e das riquezas. Forma grega: Hades
Polibotes: gigante filho de Gaia, a Mãe Terra; nascido para matar Poseidon
Pompeia: em 79 EC, essa cidade romana perto da moderna Nápoles foi destruída por uma erupção do Monte Vesúvio, que a cobriu de cinzas e matou milhares de pessoas
Pontifex maximus: sumo sacerdote dos deuses romanos
Porfírion: rei dos gigantes na mitologia greco-romana
Poseidon: deus grego do mar; filho dos titãs Cronos e Reia, irmão de Zeus e Hades. Forma romana: Netuno
Propileu: portal de entrada para o território de um templo
Quione: deusa grega da neve; filha de Bóreas
Quios: quinta maior das ilhas gregas, no Mar Egeu, ao longo da costa oeste da Turquia
Reciário: gladiador romano que lutava com uma rede com pesos e um tridente
Repellere équites: “repelir a cavalaria” em latim; formação em quadrado usada pela infantaria romana para se defender da cavalaria
Rio Flegetonte: rio de fogo que corre dos domínios de Hades para o Tártaro. Ele mantém os maus vivos para que suportem mais tormentos nos Campos de Punição
Rômulo e Remo: filhos gêmeos de Marte e da sacerdotisa Reia Sílvia que foram atirados no Rio Tibre por seu pai humano, Amúlio. Resgatados e criados por uma loba, fundaram Roma quando alcançaram a idade adulta
Somnus: deus romano do sono. Forma grega: Hipnos
Spes: deusa da esperança; a Festa de Spes, o Banquete da Esperança, cai no dia primeiro de agosto
Tártaro: marido de Gaia; espírito do abismo; na mitologia grega, pai dos gigantes. É também a região mais profunda do Mundo Inferior
Términus: deus romano das fronteiras e dos marcos
Terra: deusa romana do planeta Terra. Forma grega: Gaia
Titãs: poderosas deidades gregas, descendentes de Gaia e Urano. Governaram durante a Era de Ouro e foram derrubados por deuses mais jovens, os olimpianos
Toas: gigante criado para matar as Três Parcas
Ulisses: forma romana de Odisseu
Urano: pai dos titãs; deus do céu. Os titãs o derrotaram chamando-o à terra. Eles o afastaram de seu território, o emboscaram, o prenderam e o esquartejaram
Vênus: deusa romana do amor e da beleza. Era casada com Vulcano, mas amava Marte, o deus da guerra. Forma grega: Afrodite
Vitória: deusa romana da força, da velocidade e da vitória. Forma grega: Nice
Vulcano: deus romano do fogo, do artesanato e dos ferreiros. Filho de Júpiter e Juno, casado com Vênus. Forma grega: Hefesto
Zeus: deus grego do céu; rei dos deuses. Forma romana: Júpiter
Zoë Doce-Amarga: filha de Atlas que foi exilada e, posteriormente, juntou-se às Caçadoras de Ártemis, tornando-se a tenente da deusa
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O Sangue do Olimpo - CAP. LVIII

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Capítulo LVIII - Leo

LEO ESTAVA MORTO.
Ele tinha certeza absoluta. Só não entendia por que doía tanto. Ele sentia como se cada célula de seu corpo tivesse explodido. Agora, sua consciência estava aprisionada em um pedaço carbonizado de semideus morto. A náusea era pior do que qualquer enjoo que já sentira em uma viagem de carro. Ele não conseguia se mexer. Não conseguia ver nem ouvir. Só conseguia sentir dor.
Ele começou a entrar em pânico, pensando que talvez aquilo fosse seu castigo eterno.
Então alguém conectou cabos de bateria em seu cérebro e deu partida em sua vida.
Ele encheu os pulmões de ar e ergueu o corpo.
A primeira coisa que sentiu foi o vento no rosto, depois uma dor calcinante no braço direito. Ele ainda estava montado em Festus. Seus olhos voltaram a funcionar, e ele percebeu a grande agulha hipodérmica sendo retirada de seu antebraço. A seringa vazia vibrou, emitiu um zunido e se recolheu para o interior de um painel no pescoço de Festus.
— Obrigado, parceiro — Leo gemeu. — Cara, morrer é horrível. Mas a cura do médico? Esse troço é pior.
Festus estalou e chacoalhou em código Morse.
— Não, cara, é brincadeira — disse Leo. — Estou feliz por estar vivo. E, sim, eu amo você também. Você foi fantástico.
Um ronronar metálico atravessou todo o corpo do dragão.
Vamos às prioridades: Leo examinou o dragão à procura de sinais de dano. As asas de Festus estavam funcionando bem, apesar de a esquerda estar toda perfurada por disparos. O metal do pescoço estava parcialmente fundido, derretido pela explosão, mas o dragão não parecia prestes a cair.
Leo tentou se lembrar do que acontecera. Ele tinha quase certeza de ter derrotado Gaia, mas não fazia ideia de como estavam seus amigos no Acampamento Meio-Sangue. Com sorte, Jason e Piper haviam escapado da explosão. Leo tinha uma lembrança estranha de um míssil lançado em sua direção gritando como uma garotinha... Que diabos tinha sido aquilo?
Quando aterrissasse, teria que verificar a barriga de Festus. Os danos mais sérios provavelmente estariam nessa área, onde o dragão lutara corajosamente contra Gaia enquanto eles incineravam a lama que havia nela. Não tinha como saber havia quanto tempo Festus estava no ar. Eles precisavam descer logo.
O que levantou uma questão: onde estavam?
Abaixo, havia uma camada branca de nuvens. O sol brilhava diretamente acima deles, em um céu azul límpido. Então devia ser cerca de meio-dia... Mas de que dia? Quanto tempo Leo tinha ficado morto?
Ele abriu o painel de controle no pescoço de Festus. O astrolábio vibrava, e o cristal pulsava como um coração de neon. Leo verificou a bússola e o GPS, e um sorriso se abriu em seu rosto.
— Festus, boas notícias! — gritou. — As leituras do nosso sistema de navegação estão completamente embaralhadas!
Festus respondeu com um rangido metálico.
— É! Vamos descer! Vamos para baixo dessas nuvens e talvez...
O dragão mergulhou tão depressa que o ar foi sugado dos pulmões de Leo.
Atravessaram a camada branca e lá, abaixo deles, estava uma ilha verde isolada em um vasto mar azul.
Leo comemorou tão alto que provavelmente foi ouvido lá na China.
— É! QUEM MORREU? QUEM VOLTOU? QUEM É O GRANDE McDA HORA AGORA, PESSOAL? AÊÊÊÊÊÊÊ!
Eles desceram em espiral na direção de Ogígia, o vento quente batendo no cabelo de Leo. Ele se deu conta de que suas roupas estavam em farrapos, apesar de terem sido tecidas com magia. Seus braços estavam cobertos por uma fina camada de fuligem, como se ele tivesse acabado de morrer em um incêndio devastador... coisa que, é claro, de fato acontecera.
Mas ele não conseguia se preocupar com nada disso.
Ela estava ali na praia, de calça jeans e blusa branca, com o cabelo âmbar penteado para trás.
Festus abriu as asas e aterrissou desajeitadamente. Uma de suas pernas devia estar quebrada. O dragão tombou para o lado e jogou Leo de cara na areia.
Uma chegada nada heroica.
Leo cuspiu um pedaço de alga. Festus se arrastou pela praia, fazendo ruídos metálicos que significavam: Ai, ui, ai.
Leo olhou para cima. Calipso estava parada na frente dele, os braços cruzados e as sobrancelhas arqueadas.
— Você está atrasado — anunciou ela.
Seus olhos brilhavam.
— Desculpe, flor do dia — disse Leo. — O trânsito estava de matar.
— Você está coberto de fuligem — observou ela. — E conseguiu acabar com as roupas que fiz para você, que eram impossíveis de destruir.
— Bem, você sabe... — Leo deu de ombros. Ele sentia como se alguém tivesse jogado cem bolas de gude dentro de seu peito. — Fazer o impossível é comigo mesmo.
Ela lhe ofereceu a mão e o ajudou a se levantar. Eles ficaram cara a cara enquanto ela observava sua aparência. Calipso cheirava a canela. Será que ela sempre tivera aquela pequena pinta perto do olho esquerdo?
Leo queria muito tocá-la.
Ela torceu o nariz.
— Você está fedendo...
— Eu sei. Cheiro de morto. Provavelmente porque eu morri. Um juramento a manter com um alento final e tudo, mas agora estou bem...
Ela o interrompeu com um beijo.
As bolas de gude não paravam de se mover dentro dele. Leo estava tão feliz que teve que fazer um esforço consciente para não entrar em chamas.
Quando ela finalmente o soltou, seu rosto estava coberto de fuligem. Mas ela não pareceu se incomodar. Calipso passou o polegar pela bochecha dele.
— Leo Valdez — disse ela.
Mais nada, só o nome dele, como se fosse algo mágico.
— Sou eu — disse ele, com a voz rouca. — Então, hum... você quer deixar esta ilha?
Calipso deu um passo para trás. Ela ergueu a mão, e os ventos ficaram mais fortes. Seus criados invisíveis trouxeram duas malas e as puseram aos seus pés.
— De onde você tirou essa ideia?
Leo sorriu.
— Fez as malas para uma viagem longa, hein?
— Eu não tenho planos de voltar — Calipso olhou para trás, na direção da trilha que levava a seu jardim e à caverna onde morava. — Para onde você vai me levar, Leo?
— Primeiro, para algum lugar onde eu possa consertar meu dragão — decidiu ele. — E depois... para onde você quiser. Por quanto tempo eu fiquei longe?
— O tempo é uma coisa complicada em Ogígia — disse Calipso. — Pareceu uma eternidade.
Leo sentiu uma ponta de dúvida. Ele esperava que seus amigos estivessem bem. Esperava que não tivessem se passado cem anos enquanto ele voava morto por aí e Festus procurava Ogígia. Ele teria que descobrir. Precisava avisar a Jason, Piper e os outros que ele estava bem. Mas naquele momento não podia pensar nisso.
Calipso era uma prioridade.
— Quando deixar Ogígia — disse ele — você continua imortal, ou o quê?
— Não faço ideia.
— E não se importa?
— Nem um pouco.
— Então, tudo bem! — Ele se virou para seu dragão. — Parceiro, pronto para mais um voo sem destino definido?
Festus cuspiu fogo e começou a andar cambaleante.
— Então vamos decolar sem planos — disse Calipso. — Sem ideia de para onde vamos nem de que problemas nos esperam fora desta ilha. Muitas perguntas e nenhuma resposta concreta?
Leo levantou as mãos.
— É assim que eu voo, flor do dia. Quer que eu leve suas malas?
— Claro.
Cinco minutos depois, com os braços de Calipso ao redor de sua cintura, Leo fez Festus levantar voo. O dragão de bronze abriu as asas, e eles partiram para o desconhecido.
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O Sangue do Olimpo - CAP. LVII

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Capítulo LVII - Piper

PIPER BEM QUE GOSTARIA DE poder usar o charme para fazer a si mesma dormir.
Aquilo podia ter funcionado com Gaia, mas Piper mal conseguira pregar os olhos nas últimas duas noites.
Os dias eram ótimos. Ela adorava passar o tempo com Lacy e Mitchell e os outros filhos de Afrodite. Até sua segunda em comando, a chata Drew Tanaka, parecia aliviada, provavelmente porque podia deixar Piper cuidando das coisas e assim ter mais tempo para fofocar e fazer tratamentos de beleza no chalé.
Piper se mantinha ocupada ajudando Reyna e Annabeth a coordenar gregos e romanos. Para surpresa de Piper, as duas garotas valorizavam suas habilidades como intermediária para apaziguar qualquer conflito – que não eram muitos, mas Piper conseguiu devolver alguns elmos romanos que tinham misteriosamente ido parar na loja do acampamento.
Ela também evitou uma briga entre os filhos de Marte e os filhos de Ares sobre a melhor maneira de matar uma hidra.
Na manhã prevista para a partida dos romanos, Piper estava sentada no cais do lago de canoagem, tentando aplacar as náiades. Algumas delas achavam que os romanos eram tão bonitos que elas também queriam partir para o Acampamento Júpiter. As náiades exigiam um aquário gigante e portátil para viajarem para o oeste. Piper havia concluído as negociações quando Reyna a encontrou.
A pretora sentou-se ao lado dela no cais.
— Muito trabalho?
Piper soprou uma mecha de cabelo de sobre os olhos.
— Náiades podem ser difíceis, mas acho que chegamos a um acordo. Se elas ainda quiserem ir quando o verão acabar, aí vamos acertar os detalhes. Mas as náiades... hum... geralmente esquecem as coisas em cerca de cinco segundos.
Reyna passou a ponta dos dedos pela água.
— Às vezes eu queria esquecer as coisas rápido assim.
Piper observou o rosto da pretora. Reyna era uma semideusa que não parecia ter mudado durante a guerra contra os gigantes... pelo menos, não por fora. Ela ainda tinha o mesmo olhar forte e determinado, o mesmo rosto bonito e imponente. Usava sua armadura e seu manto roxo com a mesma naturalidade com que a maioria das pessoas usa short e camiseta.
Piper não conseguia entender como alguém conseguia suportar tanta dor, aguentar tanta responsabilidade sem fraquejar. Ela se perguntou se Reyna alguma vez já tivera alguém com quem pudesse se abrir.
— Você fez tanto... — disse Piper. — Pelos dois acampamentos. Sem você, nada disso teria sido possível.
— Todos nós tivemos um papel.
— Claro. Mas você... Eu só queria que você tivesse recebido mais crédito.
Reyna deu uma risada gentil.
— Obrigada, Piper. Mas eu não quero atenção. Você entende como é isso, não é?
Piper entendia. As duas eram muito diferentes, mas ela compreendia o desejo de não querer atrair atenção. Piper desejara o anonimato sua vida inteira, por causa da fama do pai, os paparazzi, as fotos e as histórias escandalosas na imprensa. Ela conhecia tanta gente que dizia: Ah, eu quero ser famoso! Seria maravilhoso! Mas essas pessoas não tinham ideia de como era na realidade. Ela vira o preço que era cobrado de seu pai. Piper não queria saber de nada daquilo.
Ela também podia entender a atração do estilo de vida romano: se misturar, fazer parte da equipe, trabalhar como uma peça de uma máquina bem-lubrificada. Mas mesmo assim Reyna tinha subido até o topo. Ela não podia ficar escondida.
— O poder da sua mãe... Você pode emprestar sua força para os outros?
Reyna contraiu os lábios.
— Nico lhe contou?
— Não. Eu apenas senti isso, observando você liderar a legião. Isso deve deixá-la esgotada. Como... como você recupera essa força?
— Quando eu recuperá-la, conto a você.
Ela disse isso como brincadeira, mas Piper sentiu a tristeza por trás das palavras.
— Você é sempre bem-vinda aqui. Se precisar descansar, se afastar... E agora você tem Frank, que pode assumir mais responsabilidades por um período. Ia lhe fazer bem tirar algum tempo para você, sem ter que atuar como pretora.
Os olhos de Reyna encontraram os dela, como se estivessem tentando avaliar a seriedade da oferta.
— Eu teria que cantar aquela música esquisita sobre como a vovó veste a armadura?
— Não, a menos que você queira muito. Mas talvez tenhamos que deixá-la de fora da captura da bandeira. Tenho a sensação de que você poderia encarar o acampamento inteiro sozinha e ainda nos derrotar.
Reyna deu um sorriso malicioso.
— Vou pensar na sua oferta. Obrigada.
Reyna ajeitou sua adaga, e, por um momento, Piper pensou na Katoptris, que agora estava trancada em seu baú no chalé. Desde Atenas, quando usara a arma para atingir o gigante Encélado, as visões tinham parado completamente.
— Será que... — disse Reyna. — Você é filha de Vênus. Quer dizer, de Afrodite. Talvez... talvez você consiga explicar uma coisa que sua mãe me disse.
— Estou honrada. Vou tentar, mas tenho que avisá-la: minha mãe não faz sentido para mim na maioria das vezes.
— Uma vez, em Charleston, Vênus me contou uma coisa. Ela disse: Você não vai encontrar amor onde deseja ou espera. Nenhum semideus vai curar seu coração. Eu... eu já pensei sobre isso por...
A emoção a fez ficar sem palavras.
Piper lutou contra a vontade de encontrar a mãe e socá-la. Ela odiava como Afrodite podia complicar a vida de uma pessoa apenas com uma conversa rápida.
— Reyna, não sei o que ela quis dizer, mas sei de uma coisa: você é uma pessoa incrível. Tem alguém aí fora para você. Talvez não seja um semideus. Talvez seja um mortal, ou... eu não sei. Mas, quando tiver que ser, será. E até lá, ei, você tem seus amigos. Muitos amigos, gregos e romanos. Como você é a fonte da força de todo mundo, às vezes pode esquecer que você também precisa buscar força nos outros. Eu estou aqui para o que precisar.
Reyna olhou para a outra margem do lago.
— Piper McLean, você tem jeito com as palavras.
— Não estou usando o charme, juro.
— Não é necessário — Reyna estendeu a mão. — Tenho a sensação de que vamos nos ver outra vez.
Elas apertaram as mãos, e, depois que Reyna foi embora, Piper soube que a outra tinha razão. Elas iam tornar a se ver, porque Reyna não era mais uma rival, não era mais uma estranha nem uma inimiga em potencial. Ela era uma amiga. Era família.

* * *

Naquela noite, o acampamento pareceu vazio sem os romanos. Piper já sentia saudade de Hazel. Sentia falta do ranger do Argo II e das constelações que o abajur projetava no teto de sua cabine no navio.
Deitada em seu beliche no chalé 10, ela se sentia tão inquieta que sabia que não ia conseguir dormir. Não parava de pensar em Leo. Repassava mentalmente, várias vezes, a luta contra Gaia, tentando descobrir como podia ter falhado tanto com Leo.
Por volta das duas da madrugada, ela desistiu de tentar dormir. Sentou-se na cama e olhou pela janela. O luar deixava a floresta prateada. A brisa trazia os cheiros da maresia e das plantações de morango. Ela não podia acreditar que apenas alguns dias antes a Mãe Terra havia despertado e quase destruído tudo o que Piper amava.
Aquela noite parecia tão pacífica... tão normal.
Toc, toc, toc.
Piper quase bateu com a cabeça no beliche de cima. Jason estava do outro lado da janela, batendo no vidro. Ele sorria.
— Venha.
— O que está fazendo aqui? — sussurrou ela. — Já passou do horário de recolher. As harpias da patrulha vão destroçar você!
— Venha logo.
Com o coração acelerado, ela segurou a mão dele e saiu pela janela.
Ele a levou até o chalé 1, e eles entraram. Lá dentro, a estátua enorme do Zeus Hippie reluzia à luz fraca.
— Jason, o que exatamente...?
— Veja. — Ele apontou para uma das colunas de mármore que circundavam a câmara. Atrás dela, quase escondidos contra a parede, havia degraus de ferro: uma escada. — Não posso acreditar que não percebi isso antes. Espere só até ver!
Ele começou a subir. Piper não sabia por que se sentia tão nervosa, mas suas mãos tremiam. Ela o seguiu. No alto, Jason abriu uma portinhola.
Eles saíram em uma área plana com vista para o norte, ao lado do teto abobadado. O Estreito de Long Island se estendia até o horizonte. Eles estavam em um ponto tão alto, e em tal ângulo, que ninguém lá embaixo tinha a menor possibilidade de enxergá-los. As harpias da patrulha nunca voavam àquela altura.
— Veja.
Jason apontou para as estrelas, que pareciam uma explosão de diamantes no céu, joias mais bonitas do que até Hazel Levesque poderia invocar.
— Lindo — Piper se aconchegou em Jason, que a envolveu com o braço. — Mas você não vai arranjar problemas por isso?
— E daí?
Piper riu baixinho.
— Quem é você?
Ele se virou. Seus óculos reluziam em um tom bronze pálido sob as estrelas.
— Jason Grace. É um prazer conhecê-la.
Ele a beijou, e... tudo bem, eles já haviam se beijado antes. Mas aquele beijo foi diferente. Piper se sentiu como uma torradeira. Todas as suas resistências ficaram vermelhas de calor. Se esquentassem mais, ela ia começar a cheirar a pão queimado.
Jason se afastou apenas o suficiente para olhá-la nos olhos.
— Aquela noite na Escola da Vida Selvagem, nosso primeiro beijo sob as estrelas...
— A lembrança — disse Piper. — Aquele que nunca aconteceu.
— Bem... agora é de verdade. — Ele fez o gesto para se proteger do mal, o mesmo que tinha usado para libertar o fantasma da mãe, e o lançou para o céu. — A partir de agora, estamos escrevendo nossa própria história, com um novo começo. E acabamos de dar nosso primeiro beijo.
— Tenho medo de dizer isso depois de apenas um beijo — disse Piper. — Mas, pelos deuses do Olimpo, eu amo você.
— Também amo você, Pipes.
Ela não queria estragar o momento, mas não conseguia parar de pensar em Leo, e em como ele nunca poderia ter um novo começo.
Jason deve ter percebido algo em sua expressão.
— Ei — disse ele. — Leo está bem.
— Como você pode acreditar nisso? Ele não tinha a cura. Nico confirmou que ele morreu.
— Uma vez você despertou um dragão só com a voz — lembrou-a Jason. — Você acreditou que o dragão deveria estar vivo, certo?
— Certo, mas...
— Temos que acreditar em Leo. Ele não ia morrer assim tão fácil. Ele é um cara durão.
— É verdade — Piper tentou acalmar o coração. — Então nós acreditamos. Leo tem que estar vivo.
— Lembra-se daquela vez em Detroit, quando ele esmagou Ma Gasket com um motor?
— Ou aqueles anões em Bolonha. Leo acabou com eles com explosivos caseiros, feitos de pasta de dente.
— McManeiro — disse Jason.
— Bad boy supremo — lembrou Piper.
— Chefe Leo, o especialista em tacos de tofu.
Eles riram e ficaram relembrando histórias sobre Leo Valdez, seu melhor amigo. Ficaram no telhado até amanhecer, e Piper começou a acreditar que eles podiam ter um novo começo. Talvez fosse até possível contar uma história diferente, em que Leo ainda estivesse por aí. Em algum lugar...
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O Sangue do Olimpo - CAP. LVI

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Capítulo LVI - Nico

AO AMANHECER, ELE AINDA ESTAVA acordado quando alguém bateu insistentemente na porta.
Ao atender e ver diante de si um rosto com cabelo louro, por uma fração de segundo achou que fosse Will Solace. Quando percebeu que era Jason, ficou decepcionado. Então sentiu raiva de si mesmo por se sentir daquele jeito.
Ele não falava com Will desde a batalha. Os filhos de Apolo ficaram ocupados demais com os feridos. Além disso, provavelmente Will o culpava pelo que tinha acontecido com Octavian. E por que não culparia? Nico tinha basicamente deixado... aquilo acontecer.
Assassinato por consenso. Um suicídio medonho. Àquela altura, Will Solace já tinha percebido como Nico di Angelo era assustador e revoltante. Nico não ligava para o que ele pensava, é claro, mas...
— Está tudo bem? — perguntou Jason. — Você parece...
— Estou bem — respondeu Nico secamente. Depois continuou, em um tom mais suave: — Se veio falar com Hazel, ela ainda está dormindo.
Jason emitiu um Ah mudo e fez um gesto para que Nico fosse com ele até lá fora.
Nico saiu ao sol, piscando e desorientado. Argh... Talvez o sujeito que havia projetado o chalé estivesse certo sobre os filhos de Hades serem vampiros. Ele não era muito afeito às manhãs.
Jason parecia ter dormido tão mal quanto Nico. Seu cabelo estava lambido de um lado, os óculos novos apoiados meio tortos sobre o nariz. Nico teve que se conter para não estender a mão e ajeitá-los ele próprio.
Jason apontou para os campos de morango. Perto dali, os romanos desmontavam acampamento.
— Foi estranho vê-los ali esses dias. Agora vai ser estranho não vê-los.
— Você se arrepende por não ir com eles? — perguntou Nico.
Jason deu um meio sorriso.
— Um pouco. Mas vou transitar bastante entre os dois acampamentos. Tenho que erguer alguns santuários.
— Eu soube. O Senado deve eleger você pontifex maximus.
Jason deu de ombros.
— Não ligo muito para esse título. O que me interessa é garantir que os deuses sejam lembrados. Não quero que eles continuem a lutar por ciúmes ou que descontem suas frustrações em cima de semideuses.
— São deuses — disse Nico. — É a natureza deles.
— Talvez; mas posso tentar torná-los melhores. Leo diria que estou agindo como um mecânico, fazendo manutenção preventiva.
Nico sentiu a tristeza de Jason como uma tempestade se aproximando.
— Você sabe que não tinha como impedir Leo. Não poderia ter feito nada de diferente. Ele sabia o que precisava acontecer.
— É... acho que sim. Mas não temos como afirmar se ele ainda...
— Ele morreu — disse Nico. — Sinto muito. Bem que eu queria lhe dizer o contrário, mas eu senti a morte dele.
Jason ficou com o olhar perdido.
Nico se sentiu culpado por destruir suas esperanças. Até ficou tentado a mencionar que também tinha suas dúvidas... que a morte de Leo lhe provocara uma sensação diferente, quase como se a alma dele tivesse aberto um novo caminho para o Mundo Inferior, algo que envolvesse muitas engrenagens, alavancas e pistões a vapor.
Ainda assim, Nico tinha certeza de que Leo Valdez havia morrido. E morte era morte. Não seria justo dar falsas esperanças a Jason.
Ao longe, os romanos recolhiam seus equipamentos e barracas e transportavam tudo morro acima. Do outro lado, pelo que Nico ouvira, havia uma frota de utilitários pretos à espera, nos quais a legião cruzaria os Estados Unidos até a Califórnia. Seria uma viagem de carro interessante, pensou Nico, imaginando toda a Décima Segunda Legião na fila do drive-thru do Burger King, ou algum monstro desavisado aterrorizando um semideus qualquer no Kansas só para se ver cercado por várias dezenas de 4x4 cheios de romanos fortemente armados.
— Sabia que a harpia Ella vai com eles? — disse Jason. — Ela e Tyson. Até Rachel Elizabeth Dare. Eles vão trabalhar juntos para tentar reconstituir os livros sibilinos.
— Isso vai ser interessante.
— Pode levar anos — disse Jason. — Mas com a voz de Delfos extinta...
— Rachel continua sem conseguir ver o futuro?
— Aham. O que será que aconteceu com Apolo em Atenas? Talvez Ártemis consiga fazer Zeus repensar sua decisão, e aí o poder da profecia volte a funcionar. Mas, por enquanto, os livros sibilinos podem ser o único jeito de obtermos orientação para nossas missões.
— Pessoalmente — disse Nico — acho que eu poderia ficar sem profecias e missões por um tempo.
— Tem razão — Jason ajeitou os óculos. — Olhe, Nico, eu queria falar com você porque... Eu sei o que você disse lá no palácio de Austro. Sei que já recusou um lugar no Acampamento Júpiter. Eu... sei que provavelmente não vou conseguir fazer você mudar de ideia e convencê-lo a continuar conosco, mas tenho que...
— Eu vou ficar.
Jason ficou apenas olhando para ele por alguns instantes.
— O quê?
— No Acampamento Meio-Sangue. O chalé de Hades precisa de um conselheiro-chefe. E você viu a decoração? É horrível. Vou ter que reformar isso aqui. E alguém precisa fazer direito os ritos funerários, já que os semideuses insistem em morrer como heróis.
— Isso é... é fantástico! Cara! — Jason abriu os braços para um abraço, mas parou no meio do movimento. — Tudo bem. Nada de contato físico. Desculpe.
Nico resmungou:
— Acho que podemos abrir uma exceção.
Então Jason o abraçou com tanta força que Nico teve medo de que quebrasse suas costelas.
— Ah, cara — disse Jason. — Espere só até eu contar para Piper. Ei, como eu também estou sozinho no meu chalé, você e eu podemos comer à mesma mesa no refeitório. Podemos também formar uma dupla para os jogos de capturar a bandeira e para os concursos de canto, e...
— Você está me assustando... Quer que eu mude de ideia, é isso?
— Desculpe. Desculpe. Como quiser, Nico. É só que fiquei contente.
O engraçado era que Nico sentia que era sincero.
Nico por acaso olhou na direção dos outros chalés e avistou alguém acenando para ele. Will Solace estava à porta do chalé de Apolo, com uma expressão séria no rosto. Ele apontou para o chão aos seus pés, como quem diz Você. Venha cá. Agora.
— Jason, você me dá licença?

* * *

— E aí, por onde você andou? — perguntou Will.
Ele usava um avental verde de cirurgião, calça jeans e chinelo. Esses trajes não deviam fazer parte do protocolo hospitalar.
— Como assim?
— Não saio da enfermaria há, tipo, dois dias. Você nem passou aqui. Não se ofereceu para ajudar.
— Eu... o quê? Por que vocês iam querer um filho de Hades no mesmo ambiente com pessoas que estão tentando se curar? Por que alguém ia querer algo assim?
— Você não pode ajudar um amigo? Talvez cortar ataduras? Ou me trazer um refrigerante, alguma coisa para comer? Quem sabe um simples Tudo bem por aí, Will?. Acha que para mim não seria bom ver um rosto amigo?
— O quê?... Meu rosto?
As palavras simplesmente não faziam sentido juntas: Rosto amigo. Nico di Angelo.
— Você é tão complicado — observou Will. — Espero que tenha parado com aquela besteira de ir embora do Acampamento Meio-Sangue.
— Eu... pois é. Sim. Quer dizer, eu vou ficar.
— Bom. Então você pode ser complicado, mas não é um idiota.
— E você ainda fala comigo desse jeito? Não sabe que eu posso invocar zumbis e esqueletos e...?
— No momento você não pode invocar nem um osso de galinha sem virar uma poça de escuridão, Di Angelo. Já falei, chega dessas coisas do Mundo Inferior. Ordens médicas. Você me deve pelo menos três dias de repouso na enfermaria. Começando agora.
Nico sentiu um arrepio de felicidade, como se centenas de borboletas-esqueleto ressuscitassem em seu estômago.
— Três dias? É... acho que dá.
— Ótimo. Ah, e...
Um Uhuul! alto cortou o ar.
Perto do local da fogueira, no centro da área comum, Percy exibia um sorriso enorme para alguma coisa que Annabeth tinha acabado de lhe contar. Annabeth ria e lhe dava tapinhas no braço.
— Já volto — disse Nico a Will. — Juro pelo Rio Estige e tudo.
Ele foi até Percy e Annabeth, que ainda riam como alucinados.
— E aí, cara — disse Percy ao vê-lo. — Annabeth acabou de me dar uma boa notícia. Desculpe se exagerei na comemoração.
— Vamos passar nosso último ano do ensino médio juntos — explicou Annabeth. — Aqui em Nova York. E depois da formatura...
— Faculdade em Nova Roma! — Percy fez um gesto no ar como se estivesse tocando uma buzina de caminhão. — Quatro anos sem monstros para enfrentar, sem batalhas, sem profecias estúpidas. Só Annabeth e eu, estudando para ter um diploma, frequentando cafés, curtindo a Califórnia...
— E depois... — Annabeth beijou Percy no rosto. — Bem, Reyna e Frank disseram que podemos morar em Nova Roma pelo tempo que quisermos.
— Isso é ótimo — disse Nico. Ele ficou um pouco surpreso ao perceber que achava mesmo ótimo. — Eu também vou ficar aqui, no Acampamento Meio-Sangue.
— Que máximo! — exclamou Percy.
Nico observou o rosto dele, seus olhos verdes da cor do mar, o sorriso, o cabelo preto bagunçado. Por algum motivo, Percy Jackson agora parecia aos olhos de Nico um garoto normal, não uma figura mítica. Não alguém a idolatrar ou por quem se apaixonar.
— Então — disse Nico. — Como vamos passar pelo menos um ano nos esbarrando aqui no acampamento, acho que é melhor eu esclarecer umas coisas.
O sorriso de Percy vacilou.
— Como assim?
— Por muito tempo eu fui a fim de você. Só queria que você soubesse.
Percy olhou para Nico. Depois para Annabeth, como se quisesse confirmar que tinha ouvido direito. Depois de novo para Nico.
— Você...
— É — disse Nico. — Você é uma pessoa sensacional. Mas eu superei isso. Estou feliz por vocês.
— Você... então quer dizer...
— Isso mesmo.
Os olhos cinza de Annabeth começaram a brilhar. Ela deu um sorrisinho para Nico.
— Espere — disse Percy. — Então você quer dizer...
— Isso mesmo — repetiu Nico. — Mas relaxe. Já passou. Quer dizer, agora eu entendo... você é bonito, mas não faz meu tipo.
— Não faço seu tipo... Espere. Então...
— A gente se vê por aí, Percy — disse Nico. — Annabeth.
Ela levantou a mão para um high-five.
Nico bateu. Depois voltou pelo gramado até onde Will Solace o esperava.
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O Sangue do Olimpo - CAP. LV

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Capítulo LV - Nico

NAQUELA NOITE, NICO DORMIU NO chalé de Hades.
Ele nunca havia tido vontade de se instalar ali, mas agora dividia o local com Hazel, o que fazia toda a diferença.
Viver novamente com uma irmã o deixava feliz, mesmo que fosse apenas por alguns dias – e mesmo com Hazel insistindo em dividir o chalé com lençóis para ter mais privacidade no seu lado do quarto, de forma que o lugar ficava parecendo uma área de quarentena.
Pouco antes do toque de recolher, Frank chegou para visitar Hazel. Os dois passaram alguns minutos conversando aos sussurros.
Nico tentou ignorá-los. Ficou se espreguiçando em seu beliche, que mais parecia um caixão: todo em mogno polido com barras de latão na cabeceira, além de travesseiros e cobertores de veludo em tom vermelho-sangue. Nico não tinha acompanhado a construção daquele chalé. Se tivesse, nunca teria sugerido aquelas camas. Pelo visto alguém ali achava que os filhos de Hades eram vampiros, não semideuses.
Então Frank bateu na parede junto à cama de Nico.
Nico ergueu o olhar. Frank agora estava muito alto. Parecia tão... romano.
— Ei — disse Frank. — Vamos partir pela manhã. Eu só queria agradecer.
Nico ergueu o corpo.
— Você se saiu muito bem, Frank. Foi uma honra.
Frank sorriu.
— Sinceramente, estou meio surpreso por ter sobrevivido. Toda aquela coisa de graveto mágico...
Nico assentiu. Hazel tinha contado a ele sobre o pedaço de lenha que controlava a linha da vida de Frank. Nico entendeu como um bom sinal o fato de que agora Frank conseguisse falar abertamente sobre o assunto.
— Não posso ver o futuro — disse Nico — mas geralmente sei quando as pessoas estão perto da morte. Você não está. Não sei quando aquele pedaço de lenha vai terminar de queimar. Chega um momento em que a lenha acaba para todos nós. Mas vai demorar, pretor Zhang. Você e Hazel... vocês ainda têm muitas aventuras a viver. Estão apenas começando. Cuide bem da minha irmã, ouviu?
Hazel se aproximou de Frank e entrelaçou a mão na dele.
— Não venha ameaçar meu namorado, hein!
Era algo bom de se ver, os dois tão à vontade juntos. Mas Nico sentiu também uma pontada no coração; uma dor fantasma, como um velho ferimento de guerra latejando por conta do frio.
— Não tem por que ameaçar Frank. Ele é um cara legal. Ou um urso legal. Ou um buldogue legal. Ou...
— Ah, pare com isso — Hazel ria. Ela deu um beijo em Frank. — Vejo você de manhã.
— Ok. Nico... Tem certeza de que não vem com a gente? Você sempre vai ter um lugar em Nova Roma.
— Obrigado, pretor. Reyna me disse o mesmo. Mas... não.
— Espero ver você de novo.
— Ah, vai me ver sim — prometeu Nico. — Vou ser padrinho do casamento de vocês, não é?
— Hum...
Frank ficou sem graça, limpou a garganta e foi embora, esbarrando no batente da porta ao sair.
Hazel cruzou os braços.
— Você tinha que provocá-lo com isso.
Ela se sentou na cama do irmão. Durante um tempo os dois apenas ficaram ali, em um silêncio confortável... Irmãos, filhos do passado, filhos do Mundo Inferior.
— Vou sentir saudade de você — disse Nico.
Ela inclinou o corpo para apoiar a cabeça no ombro dele.
— E eu de você, meu irmão. Você vai me visitar.
Ele deu um tapinha na nova medalha de oficial que brilhava na camisa dela.
— Centuriã da Quinta Coorte. Parabéns. Não existe nenhuma regra contra centuriões namorarem pretores?
— Shhh. — Fez Hazel. — Vai dar muito trabalho fazer a legião voltar a entrar em forma, consertar os estragos que Octavian causou. Regras de namoro vão ser o menor dos meus problemas.
— Você cresceu muito. Não é a mesma menina que eu levei para o Acampamento Júpiter. Seu poder com a Névoa, sua confiança...
— Tudo graças a você.
— Não. Conseguir uma segunda chance é uma coisa; o difícil é fazê-la valer a pena.
Assim que disse isso, Nico percebeu que podia estar falando também de si mesmo. Mas decidiu guardar para si essa observação.
Hazel deu um suspiro.
— Uma segunda chance. Eu só queria que...
Ela não precisou concluir seu pensamento. Fazia dois dias que o desaparecimento de Leo vinha pairando como uma nuvem sobre todo o acampamento. Hazel e Nico evitaram se juntar ao coro de especulações sobre o que tinha acontecido com ele.
— Você sentiu a morte dele, não sentiu? — perguntou Hazel, em uma voz tímida. Seus olhos estavam marejados.
— Sim — admitiu Nico. — Mas não sei. Alguma coisa dessa vez foi... diferente.
— É impossível que ele tenha conseguido usar a cura do médico. Não sobrou nada daquela explosão, não tem como. Eu achei... achei que estivesse ajudando Leo. Estraguei tudo.
— Não. Não é sua culpa.
Mas Nico não estava pronto nem para perdoar a si próprio. Havia passado as últimas quarenta e oito horas revendo a cena com Octavian junto à catapulta, sem saber se havia feito mesmo a coisa certa. Talvez o projétil, com seu poder explosivo, tivesse ajudado a destruir Gaia. Ou talvez tivesse custado desnecessariamente a vida de Leo Valdez.
— Eu só queria que Leo não tivesse morrido sozinho — murmurou Hazel. — Não tinha ninguém com ele, ninguém para dar a ele aquela cura. Não temos nem um corpo para enterrar...
Ela não conseguiu continuar. Nico a abraçou.
Hazel chorou nos braços dele. Até que, por fim, dormiu de exaustão. Nico a ajeitou ali na própria cama e lhe deu um beijo na testa. Depois foi até o santuário de Hades, uma mesinha no canto decorada com ossos e joias.
— Para tudo há uma primeira vez — disse ele.
Então se ajoelhou e rezou em silêncio pela orientação do pai.
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O Sangue do Olimpo - CAP. LIV

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Capítulo LIV - Nico

NO DIA SEGUINTE, NÃO HAVIA muitas respostas.
Depois da explosão, Piper e Jason, em queda livre e inconscientes, foram apanhados em pleno ar por águias gigantes e levados para um local seguro, mas Leo desapareceu. O chalé de Hefesto inteiro fez buscas no vale e encontrou restos do casco destruído do Argo II, mas nenhum sinal nem do dragão Festus nem de seu mestre.
Todos os monstros foram destruídos ou expulsos. As baixas gregas e romanas foram muitas, mas nem de perto tão numerosas quanto poderiam ter sido.
À noite, os sátiros e as ninfas desapareceram na mata para uma reunião do Conselho dos Anciãos de Casco Fendido. Pela manhã, Grover Underwood reapareceu para anunciar que eles não podiam sentir a presença da Mãe Terra. A natureza estava mais ou menos de volta ao normal. Aparentemente, o plano de Jason, Piper e Leo tinha funcionado.
Gaia havia sido separada de sua fonte de poder, levada a dormir pelo charme de Piper e depois desintegrada pela explosão combinada do fogo de Leo e do cometa improvisado de Octavian.
Imortais não morriam, mas agora Gaia seria como seu marido, Urano. A terra continuaria a funcionar normalmente, assim como o céu, mas agora o poder de Gaia estava tão disperso que nunca mais poderia voltar a formar uma consciência.
Ou pelo menos assim eles esperavam...
Octavian seria lembrado por ter salvado Roma ao se lançar ao céu em uma bola de chamas mortal. Mas Leo Valdez é quem havia feito o verdadeiro sacrifício.
A celebração da vitória no acampamento foi embotada pelo pesar – não só por Leo, mas também pelos muitos outros que morreram em batalha. Semideuses envoltos em mortalhas, gregos e romanos, foram queimados na fogueira do acampamento. Quíron pediu a Nico que cuidasse dos ritos funerários.
O garoto concordou imediatamente. Era bom ter a oportunidade de homenagear os mortos. Ele nem se incomodou com as centenas de espectadores.
A parte mais difícil veio depois, quando Nico e os seis semideuses do Argo II se encontraram no pórtico da Casa Grande.
Jason estava cabisbaixo. Até seus óculos pareciam melancólicos.
— Era para estarmos lá. Podíamos ter ajudado Leo.
— Não é justo — concordou Piper, secando as lágrimas. — Tanto trabalho para conseguir essa cura do médico, e para nada.
Hazel irrompeu no choro.
— Piper, pegue a cura.
Surpresa, Piper levou a mão ao bolso do cinto e pegou o embrulho. Quando o abriu, porém, estava vazio.
Todos os olhos se viraram para Hazel.
— Como? — perguntou Annabeth.
Frank passou o braço em torno de Hazel.
— Em Delos, Leo implorou para que o ajudássemos.
Em meio às lágrimas, Hazel explicou que tinha trocado a cura do médico por uma ilusão, um truque da Névoa, para que Leo pudesse ficar com o frasco de verdade. Frank contou a eles sobre o plano de Leo: destruir Gaia quando ela estivesse enfraquecida com uma enorme explosão de fogo. Depois da conversa com Nice e Apolo, Leo estava convencido de que uma explosão desse tipo seria capaz de aniquilar qualquer mortal em um raio de quinhentos metros, por isso sabia que teria que se afastar de todo mundo.
— Ele queria fazer isso sozinho — disse Frank. — Achava que havia uma chance mínima de sobreviver ao fogo, por ser filho de Hefesto, mas se houvesse outra pessoa junto... Ele disse que Hazel e eu, como romanos, entenderíamos a ideia de sacrifício. Mas que vocês nunca aceitariam.
No início, os outros demonstraram raiva, como se fossem começar a gritar e jogar objetos na parede, mas, à medida que Frank e Hazel falavam, a fúria do grupo pareceu se dissipar. Era difícil ficar com raiva de Frank e Hazel quando os dois estavam chorando. Além disso... aquilo era exatamente o tipo de plano sorrateiro, perverso e ridiculamente irritante e nobre que Leo Valdez faria.
Por fim, Piper emitiu um som que ficava entre um soluço de choro e um riso.
— Se ele estivesse aqui agora, eu mataria aquele garoto. Como ele pretendia tomar a cura? Ele estava sozinho!
— Talvez ele tenha encontrado um jeito — disse Percy. — Estamos falando de Leo. Ele pode voltar a qualquer minuto. Aí faremos fila para estrangulá-lo.
Nico e Hazel trocaram olhares. Os dois sabiam que isso não ia acontecer, mas não disseram nada.

* * *

No dia seguinte, o segundo desde a batalha, romanos e gregos trabalhavam lado a lado para limpar a zona de guerra e cuidar dos feridos. Blackjack se recuperava muito bem do ferimento. Guido tinha decidido adotar Reyna como sua humana. Muito a contragosto, Lou Ellen concordou em transformar seus leitõezinhos de estimação em romanos outra vez.
Will Solace não falava com Nico desde aquele momento junto ao onagro, no dia da batalha em si. O filho de Apolo passava a maior parte do tempo na enfermaria, mas sempre que Nico o via correndo pelo acampamento para buscar mais material médico ou visitar algum semideus ferido em seu chalé, sentia uma pontada estranha de melancolia. Sem dúvida Will Solace agora o via como um monstro, por ter deixado Octavian se matar.
Os romanos tinham se instalado provisoriamente perto dos campos de morango, onde insistiram em montar seu acampamento militar padrão. Os gregos foram ajudá-los a erguer os muros de terra e cavar os fossos.
Nico nunca tinha visto nada mais estranho e, ao mesmo tempo, tão legal. Dakota compartilhava seu refresco açucarado com os campistas do chalé de Dioniso; os filhos de Hermes e Mercúrio riam, contavam histórias e roubavam descaradamente coisas de praticamente todo mundo; Reyna, Annabeth e Piper eram agora um trio inseparável, circulando pelo acampamento para verificar o andamento dos reparos; Quíron, acompanhado por Frank e Hazel, inspecionava as tropas romanas e as elogiava por sua bravura.
Quando chegou a noite, o clima geral tinha melhorado um pouco. O salão de refeições nunca havia ficado tão lotado. Os romanos foram recebidos como velhos amigos. O treinador Hedge circulava entre os semideuses, exultante com o filho recém-nascido no colo, dizendo:
— Ei, querem conhecer o Chuck? Este é o meu garoto, Chuck!
As meninas de Afrodite e Atena ficavam todas bobas em torno do pequeno bebê sátiro enfezado que agitava os punhos gorduchos, esperneava os casquinhos e balia:
— Béééééé! Béééééé!
Clarisse, que tinha sido escolhida como madrinha do menino, seguia atrás do treinador como um guarda-costas, volta e meia murmurando:
— Ok, ok, deem um pouco de espaço para a criança.
Na hora dos anúncios e informes, Quíron se adiantou e ergueu seu cálice.
— De toda tragédia — começou ele — surge renovada força. Hoje, agradecemos aos deuses por esta vitória. Aos deuses!
Todos os semideuses brindaram, mas o entusiasmo que demonstravam parecia desbotado. Nico compreendia aquele sentimento: Salvamos os deuses de novo e agora devemos agradecer a eles?
Então Quíron acrescentou:
— E aos novos amigos!
— AOS NOVOS AMIGOS!
Centenas de vozes de semideuses ecoaram pelas colinas.
Em torno da fogueira, ninguém tirava os olhos das estrelas, como se esperassem que Leo voltasse em uma espécie de surpresa de última hora. Quem sabe ele não surgisse no céu, pulasse das costas de Festus e começasse a contar piadas infames? Mas não aconteceu.
Depois de algumas canções, Reyna e Frank foram chamados à frente para receberem uma retumbante salva de palmas, tanto de gregos quanto de romanos. No alto da Colina Meio-Sangue, a Atena Partenos reluzia ainda mais sob o luar, como se sinalizasse Tudo deu certo no final.
— Amanhã — disse Reyna — nós, romanos, voltaremos para casa. Agradecemos pela hospitalidade, ainda mais considerando que quase matamos vocês...
— Nós é que quase matamos vocês — corrigiu Annabeth.
— Sei.
Uuuuuuuhhhhhhh, fez a multidão em uma só voz, em zombaria. Então todos começaram a rir e a se empurrar. Até Nico teve que abrir um sorriso.
— Enfim — disse Frank, assumindo a palavra. — Reyna e eu concordamos que isso marca uma nova era de amizade entre os acampamentos.
Reyna deu um tapinha nas costas dele.
— Isso mesmo. Por centenas de anos os deuses tentaram nos separar, para evitar que entrássemos em guerra. Mas existe uma forma melhor de se manter a paz: pela cooperação.
Piper se levantou do meio da plateia.
— Tem certeza de que sua mãe é a deusa da guerra?
— Tenho, McLean — disse Reyna. — Ainda pretendo lutar muitas batalhas. Mas, a partir de agora, vamos fazer isso juntos!
Muitos aplausos.
Frank levantou a mão, pedindo silêncio.
— Todos vocês serão bem-vindos no Acampamento Júpiter. Fizemos um acordo com Quíron, de um intercâmbio livre entre os acampamentos: visitas nos fins de semana, programas de treinamento e, é claro, ajuda de emergência em casos de necessidade...
— E quanto a festas? — perguntou Dakota.
— Isso mesmo! Festas! — exclamou Connor Stoll, em apoio.
Reyna abriu os braços.
— Mas isso a gente nem precisa falar. Nós, romanos, inventamos as festas.
Mais um grande Uuuuuuuhhhhhhh.
— Bom, obrigada — concluiu Reyna. — A todos vocês. Nós podíamos ter escolhido ódio e guerra. Em vez disso, encontramos aceitação e amizade.
Então Reyna fez algo tão inesperado que Nico mais tarde achou que tinha sido apenas um sonho. Ela foi até Nico, que, como sempre, estava parado um tanto afastado do grupo, nas sombras. Reyna o pegou pela mão e o puxou carinhosamente para a luz da fogueira.
— Nós tínhamos um lar — disse ela. — Agora, temos dois.
E deu um forte abraço em Nico. A multidão deu vivas e aplaudiu em grande balbúrdia. Pela primeira vez, Nico não teve vontade de se afastar.
Ele afundou o rosto no ombro de Reyna e tentou segurar as lágrimas.
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